André Costa
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Hoje: 30/05/2017

Acesso Restrito



Educação Ambiental

Foco: Proteção Ambiental

O modelo de conquista do Brasil nos primórdios teve como objetivo a exploração dos recursos naturais com o passar do tempo à herança deixada foi uma educação de desequilíbrio ambiental com sequelas irreversíveis. Somente no século XX houve um pensar nas questões ambientais, em especial na educação ambiental. (AREAL, 2011, p. 14).

 

Os últimos 50 anos, marcados pela pedagogia liberal, predominavam os interesses individuais e o conceito de liberdade que se baseavam nos meios de produção, as sociedade de classes. Assim, as ideais de solidariedade e cooperação, tão sonhados em uma sociedade fraterna, dão lugar a uma política de elevados rendimentos e de alta produtividade. Na contramão da pedagogia liberal, há a pedagogia progressiva onde a educação está inserida no contexto das relações sociais. Esta busca atender as necessidades do todo e baseia-se no questionamento das relações dos homens entre si e com a natureza, para assim transformá-las. O objetivo, então, é provocar a discussão entre alunos e professores fazendo com que nasça uma nova maneira de ver e se relacionar com o meio ambiente. (SAVIANI, 2007, p.46).

 

Segundo Adams, para que a Educação Ambiental possa ser inserida nos atuais sistemas educacionais, seria necessário desenvolverem-se novos sistemas de educacionais que viabilizem práticas para um contato que aprimore os sentidos para ampliar uma maior percepção com o ambiente em que vivemos. Podemos perceber que, cada vez mais, os pátios das escolas encolhem para dar lugar a novas salas de aula, laboratórios etc.

 

Restando, de forma intrínseca, uma despreocupação com uma maior exposição ao ambiente externo, ou a falta de entendimento quanto à importância de se preservar a qualidade da vida escolar. Em uma inevitável comparação, outrora as escolas privilegiavam os espaços para bem oportunizar o contato das crianças com os ambientes naturais, opção que, via de regra, jamais deveria ser esquecida ou desprezada, uma vez que as frias construções dos prédios tomam conta e os alunos, crianças e jovens, em formação, são alijadas do convívio com elementos naturais (água, terra, plantas etc.). (ADAMS, 2011).

 

Na Escócia, no ano de 1889, Patrick Geddes, considerado o pai/fundador da Educação Ambiental, laça a seguinte luz: “uma criança em contato com a realidade do seu ambiente não só aprenderia melhor, mas também desenvolveria atitudes criativas em relação ao mundo em sua volta”. (GEDDES, 1889, apud, DIAS, 1991, p. 29).

 

Segundo LINDNER, em seu livro “Educação Ambiental”, a educação ambiental, como uma nova filosofia de vida, deve transpassar a área científica e acadêmica, não apenas em uma visão ecológica, mas, sobretudo, no conhecimento das relações entre os seres vivos e o ambiente natural. Afirma, ainda, que não poderia ser um contato esporádico entre ambos, ou seja, os seres e o meio ambiente, bem como, não poderia ser, tão somente, uma disciplina inserida na grade curricular. Neste ponto, Kindel enfatiza que a educação, de hoje, é um modelo onde o aprendizado é fragmentado o que impedi-nos de relaciona-los com o contexto global, com tudo o que nos cerca, com o ambiente a nossa volta. Apresenta ainda um agravamento: pouco investimento em pesquisas, a falta de preparo dos educadores e, ainda, a falta de comprometimento por parte dos órgãos responsáveis pela educação e formação das pessoas, tanto na esfera pública, quanto na privada, bem como, os responsáveis diretos e/ou os indiretos. (KINDEL, 2006, p. 107).

 

A popularização do termo Educação Ambiental é relativamente recente, embora esteja presente desde as primeiras preocupações ambientais do início da década de 70, seu conceito internacionalmente aceito, encontra-se alicerçado nos enunciados sobre Educação Ambiental da UNESCO, desde a Conferência de Educação Ambiental de Tbilisi, em 1977:

 

“A Educação Ambiental é o processo de reconhecimento de valores e elucidação dos conceitos que levam a desenvolver as habilidades e as atitudes necessárias para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios físicos. A Educação Ambiental também envolve a prática para as tomadas de decisões para as auto formulações de comportamentos sobre os temas relacionados com a qualidade do meio ambiente”.

 

Embora para muitos a educação ambiental possa parecer uma ideia utópica, de fato é uma realidade, definido pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, sendo:

Os alunos podem ter nota 10 nas provas, mas, ainda assim, jogar lixo na rua, pescar peixes-fêmeas prontas para reproduzir, atear fogo no mato indiscriminadamente, ou realizar outro tipo de ação danosa, seja por não perceberem a extensão dessas ações ou por não se sentirem responsáveis pelo mundo em que vivem (...). A solução dos problemas ambientais tem sido considerada cada vez mais urgente para garantir o futuro da humanidade e depende da relação que se estabelece entre sociedade/natureza, tanto na dimensão coletiva quanto na individual. (BRASIL, PCN / Meio Ambiente, 1999, p. 169).

 

E ainda:

 

Como esse campo temático é relativamente novo no ambiente escolar, os professores podem priorizar sua própria formação/informação à medida que as necessidades se configurem. Reconhece-se aqui a necessidade de capacitação permanente do quadro de professores, da melhoria das condições salariais e de trabalho, assim como a elaboração e divulgação de materiais de apoio. Sem essas medidas, a qualidade desejada fica apenas no campo das intenções. (BRASIL, PCN / Meio Ambiente, 1999, p. 188).

 

Deste modo, toda a consciência é adquirida e formada com o preparo do terreno, neste caso fértil, ou seja, desde a Educação Infantil, desde o berço, dentro do primórdio núcleo social, no seio familiar.

 

A UNESCO promoveu em Belgrado (Iugoslávia), respondendo as recomendações de Estocolmo, um encontro internacional em Educação Ambiental (The Belgrado Workshop on Environmental Education). Segundo a Carta de Belgrado, os objetivos da Educação Ambiental, seriam:

 

Tomada de consciência. Ajudar às pessoas e aos grupos sociais a adquirir maior sensibilidade e consciência do meio ambiente em geral e dos problemas.

 

Conhecimentos. Ajudar às pessoas e aos grupos sociais a adquirir uma compreensão básica do meio ambiente em sua totalidade, dos problemas associados e da presença e função da humanidade neles, o que necessita uma responsabilidade crítica.

 

Atitudes. Ajudar às pessoas e aos grupos sociais a adquirir valores sociais e um profundo interesse pelo meio ambiente que os impulsione a participar ativamente na sua proteção e melhoria.

 

Aptidões. Ajudar às pessoas e aos grupos sociais a adquirir as aptidões necessárias para resolver os problemas ambientais.

 

Capacidade de avaliação. Ajudar às pessoas e aos grupos sociais a avaliar as medidas e os programas de educação ambiental em função dos fatores ecológicos, políticos, sociais, estéticos e educativos.

 

Participação. Ajudar às pessoas e aos grupos sociais a desenvolver seu sentido de responsabilidade e a tomar consciência da urgente necessidade de prestar atenção aos problemas ambientais, para assegurar que sejam adotadas medidas adequadas. (Carta de Belgrado, 1975).

 

Educação AmbientalAssim, no Brasil, o ProNEA - Programa Nacional de Educação Ambiental, que é um programa de âmbito nacional, ainda assim, não significando que sua implementação seja de competência exclusiva do poder público federal, na realidade é bem ao contrário, todos os segmentos sociais e esferas de governo (federal, estadual e municipal) são corresponsáveis pela sua aplicação, execução, monitoramento e avaliação. Tal programa, cujo caráter prioritário e permanente deve ser reconhecido por todos os governos, tem, na perspectiva da sustentabilidade ambiental, o eixo orientador na construção de um país de todos. No âmbito educacional, suas ações destinam-se a assegurar a interação e a integração equilibradas das múltiplas dimensões da sustentabilidade ambiental (ecológica, social, ética, cultural, econômica, espacial e política) para o desenvolvimento do país, buscando, deste modo, o envolvimento e a participação social na proteção, recuperação e melhoria das condições ambientais e de qualidade de vida. Nesse sentido, destacam se as seguintes diretrizes:

 

Transversalidade e Interdisciplinaridade;

 

Descentralização Espacial e Institucional;

 

Sustentabilidade Socioambiental;

 

Democracia e Participação Social;

 

Aperfeiçoamento e Fortalecimento dos Sistemas de Ensino;

 

Meio Ambiente e outros que tenham interface com a educação ambiental. (MEC, 2005).

 

Outra diretriz do ProNea é a descentralização espacial e institucional, por meio da qual se privilegia o envolvimento democrático dos atores e segmentos institucionais na construção e implementação das políticas e programas de educação ambiental nos diferentes níveis e instâncias de representatividade social no país.

 

Neste caso a democracia e a participação social permeiam as estratégias e ações por intermédio da geração e disponibilização de informações que venham a garantir a participação social na discussão, formulação, implementação, comprometidos com a qualidade ambiental e a justiça social e, ainda, de apoio à sociedade na busca de um modelo socioeconômico sustentável.

 

O ProNEA segue os seguintes princípios:

 

Concepção de ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência sistêmica entre o meio natural e o construído, o socioeconômico e o cultural, o físico e o espiritual, sob o enfoque da sustentabilidade.

 

Abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais, transfronteiriças e globais;

 

Respeito à liberdade e à equidade de gênero;

 

Reconhecimento da diversidade cultural, étnica, racial, genética, de espécies e de ecossistemas;

 

Enfoque humanista, histórico, crítico, político, democrático, participativo, inclusivo, dialógico, cooperativo e emancipatório;

 

Compromisso com a cidadania ambiental;

 

Vinculação entre as diferentes dimensões do conhecimento; entre os valores éticos e estéticos; entre a educação, o trabalho, a cultura e as práticas sociais;

 

Democratização na produção e divulgação do conhecimento e fomento à interatividade na informação;

 

Pluralismo de ideias e concepções pedagógicas;

 

Garantia de continuidade e permanência do processo educativo;

 

Permanente avaliação crítica e construtiva do processo educativo;

 

Coerência entre o pensar, o falar, o sentir e o fazer;

 

Transparência;

 

Promover processos de educação ambiental voltados para valores humanistas, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências que contribuam para a participação cidadã na construção de sociedades sustentáveis;

 

Fomentar processos de formação continuada em educação ambiental, formal e não formal, dando condições para a atuação nos diversos setores da sociedade;

 

Contribuir com as organizações de grupos – voluntários, profissionais, institucionais, associações, cooperativas, comitês, entre outros – que atuem em programas de intervenção em educação ambiental, apoiando e valorizando suas ações;

 

Fomentar a transversalidade por meio da internalização e difusão da dimensão ambiental nos projetos, governamentais e não governamentais, de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida. (MEC, 2005).

 

O encontro internacional em Educação Ambiental culminou, também, com a formação dos princípios e orientações para um – Programa Internacional de Educação Ambiental – PINEA. A Educação Ambiental deve ser continuada, multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais. A Carta de Belgrado dispõe:

 

É absolutamente vital que todos os cidadãos do mundo insistam em medidas que apoiem um tipo de crescimento econômico que não tenha repercussões prejudiciais para as pessoas, para seu ambiente, nem para suas condições de vida. É necessário encontrar modos de assegurar que nenhuma nação cresça ou se desenvolva à custa de outra, e que o consumo de um indivíduo não ocorra em detrimento dos demais. Os recursos da Terra devem ser utilizados de modo que beneficiem a toda humanidade, e que proporcionem melhoria da qualidade de vida para todos. (Carta de Belgrado, 1975).

Princípio Protecionista

 

As diretrizes básicas dos Programas de Educação Ambiental, segundo Carta de Belgrado, deveria observar:

 

A Educação Ambiental deve considerar o ambiente em sua totalidade – natural e criado pelo homem, ecológico, econômico, tecnológico, social, legislativo, cultural e estético;

 

A Educação Ambiental deve ser um processo contínuo, permanente, tanto dentro como fora da escola;

 

A Educação Ambiental deve adotar um método interdisciplinar;

 

A Educação Ambiental deve enfatizar a participação ativa na prevenção e solução dos problemas ambientais;

 

A Educação Ambiental deve examinar as principais questões ambientais em uma perspectiva mundial, considerando, ao mesmo tempo, as diferenças regionais;

 

A Educação Ambiental deve se basear nas condições ambientais atuais e futuras;

 

A Educação Ambiental deve examinar todo o desenvolvimento e crescimento a partir do ponto de vista ambiental;

 

A Educação Ambiental deve promover o valor e a necessidade da cooperação a nível local, nacional e internacional, na solução dos problemas ambientais.

 

Em 1977 na Geórgia (ex-URSS), em Tbilisi, realizou-se a I Conferência Intergovernamental sobre Educação ambiental, organizada pela UNESCO. Definindo os objetivos, as características da Educação Ambiental, além das estratégias pertinentes no plano nacional e internacional, assim:

 

Considerar o meio ambiente em sua totalidade: em seus aspectos natural e construído, tecnológicos e sociais (econômico, político, histórico, cultural, técnico, moral e estético);

 

Constituir um processo permanente, desde o início da educação infantil e contínuo durante todas as fases do ensino formal;

 

Aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico de cada área, de modo que se consiga uma perspectiva global da questão ambiental;

 

Examinar as principais questões ambientais do ponto de vista local, regional, nacional e internacional;

 

Concentrar-se nas questões ambientais atuais e naquelas que podem surgir, levando em conta uma perspectiva histórica;

 

Insistir no valor e na necessidade da cooperação local, nacional e internacional para prevenir os problemas ambientais;

 

Considerar de maneira explícita os problemas ambientais nos planos de desenvolvimento e crescimento;

 

Promover a participação dos alunos na organização de suas experiências de aprendizagem, dando-lhes a oportunidade de tomar decisões e aceitar suas consequências;

 

Estabelecer, para os alunos de todas as idades, uma relação entre a sensibilização ao meio ambiente, a aquisição de conhecimentos, a atitude para resolver os problemas e a clarificação de valores, procurando, principalmente, sensibilizar os mais jovens para os problemas ambientais existentes na sua própria comunidade;

 

Ajudar os alunos a descobrirem os sintomas e as causas reais dos problemas ambientais;

 

Ressaltar a complexidade dos problemas ambientais e, em consequência, a necessidade de desenvolver o sentido crítico e as atitudes necessárias para resolvê-los;

 

Utilizar diversos ambientes com a finalidade educativa e uma ampla gama de métodos para transmitir e adquirir conhecimento sobre o meio ambiente, ressaltando principalmente as atividades práticas e as experiências pessoais. (AREAL, 2011, p.24)

 

Em 1988, no Brasil, a Constituição Federal pôs-se na vanguarda legislativa e, em seu artigo 225, parágrafo 1º, Inciso VI, imputa ao poder público a promoção da Educação Ambiental. (BRASIL, 2011).

 

Fonte:

ADAMS, Berenice Gehlen. Tendências pedagógicas e educação ambiental, Disponível em: <http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=190&class=02> Acessado em 20 out 2011;

 

AREAL, Adriana Soares. Educação Ambiental e a ONG Padrão Águias da Aventura Objetiva. 2011. 14 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Gestão Ambiental) - Sistema de Ensino Presencial Conectado Gestão Ambiental da Universidade Norte do Paraná – UNOPAR, Teresópolis, 2011;

 

BRASIL. Coletânea de Legislação Ambiental. 10 edição.  São Paulo: RT, 2011;

 

Brasil. Parâmetros Curriculares Nacionais. Meio Ambiente e Saúde. Ministério da Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/meioambiente.pdf> Acessado em 04 fev 2012;

 

Brasil. Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA In: Portal do Ministério da Educação e Cultura. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/educacaoambiental/pronea3.pdf>. 2005. Acessado em 04 fev 2012;

 

Carta de Belgrado. In: OpenLink BR Disponível em:  <http://openlink.br.inter.net/jctyll/1903.htm> Acessado em 04 fev 2012;

 

DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: Princípios e Prática. 9ª edição. São Paulo: Gaia, 2004;

 

KINDEL, Eunice Aita Isaia. Educação Ambiental, 2ª edição. Porto Alegre: Editora Mediação. 2006;

 

SAVIANI, Dermaval. Histórias das Ideias Pedagógicas no Brasil, 1ª edição, São Paulo: Editora Autores Associados, 2007.

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